sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Paramore promete "ressurgir das cinzas" em álbum que estreia em abril de 2013.

Do UOL, em São Paulo

  • Lucas Lima / UOL
    Hayley Williams se apresenta com o Paramore em São Paulo (20/02/2011) Hayley Williams se apresenta com o Paramore em São Paulo (20/02/2011)


Nesta quinta-feira (6), a banda Paramore anunciou que lançará seu próximo álbum no dia 9 de abril de 2013, informou o site Billboard.com
O disco recebeu o nome da banda e, segundo seus integrantes reflete o momento do trio. “Todo o processo de produção foi um redescobrimento de nós mesmos como banda e como amigos”.
“Foi um processo que nos permitiu ter liberdade para explorar um novo território artístico e liberar nós mesmos como músicos, cantores e pessoas”, escreveu o grupo em um comunicado divulgado no site oficial. “Nós sentimos que o melhor jeito de dar um nome para o disco foi chamá-lo do que ele realmente é. O álbum é a gente”.
O último lançamento do trio, “Brand New Eyes”, vendeu 762 mil cópias e o single “The Only Exception” chegou ficar em 24º lugar no top 100 da Billboard em 2009.
Logo depois da estreia de “Brand New Eyes”, dois dos fundadores da banda, os irmãos Josh e Zac Farro, se demitiram do grupo, deixando apenas a vocalista Hayley Willians, o baixista Jeremy Davis e o guitarrista Taylor York.
O primeiro single do novo álbum se chama “Now” e, de acordo com o Paramore, a música é o “jeito perfeito de começar a nova jornada” que a banda vai começar. “[A canção] mostra para as pessoas que você pode perder batalhas, mas voltar e vencer guerras. Você pode ressurgir das cinzas".

Álbum de Bruce Springsteen é eleito melhor do ano pela revista "Rolling Stone"

Reuters Eric Kelsey
De Los Angeles

O cantor Bruce Springsteen, cujo álbum "Wrecking Ball" foi eleito o melhor do ano pela revista "Rolling Stone"
  • O cantor Bruce Springsteen, cujo álbum "Wrecking Ball" foi eleito o melhor do ano pela revista "Rolling Stone"
O roqueiro veterano Bruce Springsteen e o grupo de blues-rock novato Alabama Shakes ficaram nesta sexta-feira (7) no topo das listas anuais de melhor álbum e música do ano da revista "Rolling Stone", que trazem vários dos principais indicados ao Grammy do próximo ano.
O 17º álbum de estúdio de Springsteen, cujo , ficou em primeiro lugar na lista de melhor disco, segundo a revista, com a publicação descrevendo-o como "a resposta mais direta do rock à Grande Recessão".
Springsteen, de 63 anos, ficou na frente da estreia de "Channel Orange", do cantor de hip hop Frank Ocean, em segundo lugar, e de "Blunderbuss", primeiro esforço solo do ex-vocalista do White Stripes Jack White, em terceiro, na lista anual selecionada e compilada pelos editores da Rolling Stone.
Springsteen, Ocean e White receberam indicações para o Grammy, que foram anunciadas no início desta semana.
O restante dos dez melhores álbuns incluíram "Tempest", de Bob Dylan, "¡Uno!", do Green Day, "Psychedelic Pill", de Neil Young e Crazy Horse, "good kid, m.A.A.d city", de Kendrick Lamar, e "The Idler Wheel is Wiser...", de Fiona Apple.
"Hold On", do novato Alabama Shakes, ganhou com a melhor canção do ano, derrotando faixas populares de Ocean, White, Springsteen, Dylan e Kanye West nas 10 mais.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Falando sério ainda!

Integrantes do Skank dizem que "grande mídia rompeu com o pop rock brasileiro"

Thays Almendra
Do UOL, em São Paulo
O grupo Skank participa do "Show da Virada" da Rede Globo, em São Paulo (27.nov.2012)
O grupo Skank participa do "Show da Virada" da Rede Globo, em São Paulo (27.nov.2012)
Único representante do pop rock nacional na gravação do “Show da Virada”, da Globo, nesta terça-feira (28), o Skank afirmou que "a grande mídia" é a culpada pela falta de visibilidade do gênero musical no Brasil. “Há um rompimento patente e fácil de perceber da grande mídia e o pop rock brasileiro. Não sabemos até que ponto a mídia consegue moldar ou dar opção para a massa gostar de outro tipo de música”, disse o vocalista Samuel Rosa se referindo à “supremacia do sertanejo e axé”.

De acordo com Samuel, boas produções do rock e pop rock no país estão sendo descartadas pelas redes e veículos de comunicação. “Existe uma preguiça da mídia com bandas e músicas novas e é inevitável que isso se torne um círculo vicioso. As bandas também vão desanimando por não terem espaço e pensam: ‘Tocar no Faustão é tão difícil, tocar em uma rádio é tão complicado. Hoje em dia só o sertanejo, o pagode estão tocando e tal’. Isso vira um ciclo que não é tão legal, já vivemos momentos melhores”, diz o líder do Skank, que no auge do sucesso na década de 1990, costumava se apresentar com frequência no "Domingão do Faustão", da Globo.

O baterista Haroldo Ferretti acredita também que o momento não é favorável para o pop rock e critica o “crescimento exagerado” de outros ritmos.  “A gente vê em outros segmentos lutas de foice, é uma quantidade de artistas novos, que eu me perco em ver que a cada mês surge um novo sucesso, e confesso que não conheço direito”. E acrescenta: “Está faltando democratização à música”.

Em agosto deste ano, a banda lançou o DVD “Skank – Rock in Rio” e teve a música com o rapper Emicida “Presença”na novela da Globo “Amor Eterno Amor”. Nos últimos dois meses, nenhum dos hits do grupo entrou nas paradas de sucesso, segundo o Hot 100 Brasil, que mostra semanalmente as 100 músicas mais tocadas nas rádios do Brasil.

Falando sério!

Músicos contam como a guerra das Malvinas impulsionou o rock argentino

Atualizado em  2 de abril, 2012 - 07:32 (Brasília) 10:32 GMT
Charly Garcia. | Foto: Maxi Vernazza, Revista Gente
Proibição de músicas em inglês durante a guerra teria ajudado a "descoberta" de músicos de rock argentinos
A guerra das Malvinas (Falklands, para os britânicos), que aconteceu há 30 anos, ainda divide a sociedade argentina.
Principalmente, porque foi uma ação decidida por um governo militar que vinha realizando, durante vários anos, uma repressão feroz no país e que, neste momento, também era pressionado pelos problemas sócio-econômicos que afetavam a Argentina.
Quando a guerra começou, em 2 de abril, com a chegada às ilhas das tropas anfíbias sob o comando do contra-almirante Carlos Büsser, a junta militar presidida por Leopoldo Galtieri decidiu "recomendar" aos oficiais de radiofusão que dessem preferência aos artistas nacionais no lugar daqueles que cantavam em inglês.
Tal "recomendação" se executou como uma ordem, como acontecia com qualquer outra "sugestão" dos militares que tinham assumido o governo com o golpe.
Desde então, as rádios passaram a transmitir somente as letras em castelhano, até que com o retorno da democracia em 1983, o organismo que regulava a radiofusão foi desativado.
Miguel Cantilo, músico e famoso roqueiro argentino, escreve em seu livro Que circo! memória y presente de meio seculo de rock argentino, que a proibição "lançou" o rock no país.
"Apesar de ter durado pouco, foi um grande incentivo, porque quando (as rádios) não sabiam o que tocar, começaram a descobrir que existiam discos (nacionais)", disse o músico a um jornal local recentemente.

Permissão

"Sem dúvida (a proibição) deu ao rock uma força especial. Acho que sobretudo por causa das letras, já que o rock tem um pouco mais de filosofia e faz com que as pessoas sejam mais conscientes das coisas", disse à BBC Mundo Piero de Benedictis, conhecido como "Piero".
O roqueiro tem duas músicas dedicas às Malvinas, que podem ser ouvidas dentro desta reportagem.
Em 1976, quando os militares tomaram o poder, o rock e seu poder contestador eram vistos como "suspeitos" ou "subversivos".
Músicos como Piero ou Cantilo se viram obrigados a exilar-se nos primeiros anos do governo militar, por temor à repressão.
Mas ao voltar, em 1982, além de terem começado a ser ouvidos no rádio, eles receberam permissão dos militares para fazer "shows solo", onde se recolhia ajuda para os soldados na guerra.
"(Emilio) Massera (membro da junta militar na época) me disse uma vez, em seu próprio escritório, 'se você for devagar, não terá problemas'", diz Piero.
A proibição não afetou bandas como Pink Floyd e sua mensagem de protesto com a música "The Wall", já que a música sequer era tocada na rádio por ser qualificada como "subversiva".
No entanto, foram silenciados grupos como Queen, Bee Gees e a cantora Olivia Newton-John, que estavam em voga nesse momento.
"De qualquer modo, não se podia abordar qualquer tema, mesmo cantando em castelhano. Tudo era muito controlado. Qualquer mensagem nas letras das canções era feita através de metáforas", disse Rafael Franceschelli, produtor musical e especialista na história do rock argentino.

Divergências

A situação política do momento era delicada. "Em cada show havia quase mais policiais que espectadores", relembra Piero.
Em um ensaio, Óscar Blanco, professor de Letras da Universidade de Buenos Aires e pesquisador da lírica do rock argentino, diz que apesar da possibilidade de tocar nas rádios, o rock nacional foi prejudicado pela ditadura.
"O rock foi incluído em uma operação política da ditadura - a guerra das Malvinas - não conseguiu mudar o sentido ideológico do show de solidariedade para os combatentes, e o rock nacional começou a se desintegrar junto com sua ideologia contracultural", disse.
"Sem querer, o rock nacional foi legitimado pelo mesmo sistema que o reprimiu".
Rinaldo Rafanelli, ex-baixista da banda Sui Generis, uma das mais populares do início dos anos 70, concorda com a afirmação de Blanco.
"Dizer que os militares impulsionaram o rock nacional com a proibição é simplista. Vínhamos de (um período de) estagnação cultural, onde se você tocava, podia ser preso", disse.
Foto: Cortesia Rinaldo Rafanelli
Roqueiros faziam shows para soldados argentinos, organizados pelos militares
"A verdadeira época criativa do rock nacional é o princípio dos anos 1970, com os militares ninguém conseguiu gravar sequer um demo. Em todo caso, quando a proibição entrou em vigência, todo mundo tinha em casa seus discos em inglês que podia escutar."
Rafanelli se refere a um período em que surgiram bandas e artistas como Pescado Rabioso, Billy Bond, Almendra (de Luiz Alberto Spinetta), León Gieco, Raúl Porchetto, Pappo's Blues e Sui Generis.
Era o momento em que acontecia o primeiro governo democrático em décadas, o de Héctor Cámpora, e o momento em que Juan Domingo Perón voltava ao país após um exílio forçado pelas cúpulas militares.
"Mas logo há um grande buraco na produção nacional durante a ditadura (1976-1983); Os que continuaram foram os bonecos que a própria ditadura autorizou", afirma Franceschelli.

Explosão

Piero lembra que desde que voltou para a Argentina em 1981 até abril de 1982, não tinha autorização de ninguém para fazer shows.
Um amigo finalmente conseguiu para ele a reunião com Emilio Massera, e é aí que lhe permitem fazer uma série de shows que marcaram época.
"Mas o repertório era mais social e menos contestador. Era possível cortar a tensão que se sentia no ar. Havia policiais em qualquer lugar que se olhava", disse.
"Tudo floresceu novamente com Alfonsín", diz Rafanelli, fazendo referência ao retorno da democracia em 1983, com a eleição de Raúl Alfonsín.
"Quando os militares chegaram, o rock já estava presente. Desde que apareceram os Beatles, o rock havia explodido em toda a América."